O que é um planejamento facial completo
A expressão “planejamento facial” é usada com sentidos muito diferentes. Às vezes descreve apenas a indicação de alguns procedimentos; às vezes, um documento com valores. Em medicina, planejar é outra coisa: é organizar o raciocínio que liga o que incomoda a pessoa ao que o exame mostra, e o que o exame mostra às alternativas possíveis, com seus benefícios, riscos e limites.
Um planejamento completo não termina necessariamente em cirurgia. Ele termina em uma decisão bem fundamentada, que pode ser operar, tratar de outra forma, aguardar ou não fazer nenhum procedimento. A seguir, as etapas que costumam compô-lo.
O ponto de partida: o que incomoda
O planejamento começa antes do exame, com a descrição do que incomoda, nas palavras da própria pessoa. A etapa parece simples, mas orienta todo o restante. Uma mesma região pode ser motivo de queixa por razões diferentes, e o que chama a atenção de quem examina nem sempre é o que motivou a consulta.
Ouvir com atenção também permite entender a motivação, o momento de vida e o que a pessoa espera de um tratamento. O alinhamento de expectativas começa aqui, e não apenas no fim da conversa.
Histórico de saúde e de tratamentos anteriores
O histórico reúne informações que influenciam diretamente a segurança e a conduta:
- doenças atuais e anteriores, como hipertensão, diabetes, alterações da coagulação e condições que interferem na cicatrização;
- medicamentos de uso contínuo e suplementos, alguns dos quais interferem na coagulação;
- tabagismo, que prejudica a circulação dos tecidos e aumenta o risco de complicações de cicatrização;
- cirurgias anteriores, intercorrências com anestesia e características de cicatrizações passadas;
- procedimentos já realizados na face, como preenchimentos, aplicações de toxina botulínica, tratamentos com tecnologias e cirurgias, porque modificam os tecidos e precisam ser considerados.
Esse levantamento pode indicar a necessidade de exames ou de avaliação por outros especialistas antes de qualquer decisão.
O exame por camadas
O envelhecimento facial não se restringe a uma camada. Por isso, o exame procura identificar a contribuição de cada uma delas para a queixa:
- Pele: espessura, elasticidade, textura, manchas e eventual excesso;
- Gordura: distribuição, redução ou deslocamento dos compartimentos superficiais e profundos;
- Músculo e SMAS: o plano musculoaponeurótico e a dinâmica da expressão;
- Ligamentos: a firmeza dos pontos que ancoram os tecidos ao esqueleto ou a planos profundos;
- Esqueleto: o suporte ósseo e as proporções que ele determina.
A face é examinada em repouso e em movimento, de frente e de perfil, por regiões e em conjunto. As proporções e as assimetrias que já existem são registradas, porque fazem parte da anatomia de cada pessoa e tendem a permanecer depois de qualquer tratamento. Em muitos serviços, o exame é complementado por registro fotográfico em condições padronizadas, que integra o prontuário e serve de referência para o próprio planejamento.
É essa leitura por camadas que explica por que duas queixas parecidas podem levar a condutas diferentes.
Prioridades
Nem tudo o que o exame identifica precisa ser tratado, e nem tudo precisa ser tratado ao mesmo tempo. Definir prioridades significa distinguir o que responde à queixa principal do que é secundário, o que traz benefício relevante do que traz mudança pequena diante dos riscos, e o que faz sentido agora do que pode ser reavaliado depois.
Essa etapa costuma reduzir a lista de intervenções, e não aumentá-la. Uma postura conservadora dá prioridade ao que preserva as características próprias do rosto.
Alternativas, incluindo não operar
Para uma mesma queixa, geralmente existe mais de um caminho. O planejamento apresenta as alternativas disponíveis e o que cada uma pode e não pode fazer: tratamentos não cirúrgicos, diferentes técnicas cirúrgicas, abordagens combinadas, aguardar ou não fazer nenhum procedimento.
Quando a expectativa não é realista ou o momento não é adequado, isso precisa ser dito com clareza, e a conduta pode ser não operar.
Sequência e combinação de procedimentos
Quando mais de uma região precisa ser tratada, é preciso decidir se os procedimentos serão feitos no mesmo tempo cirúrgico ou em etapas. Essa decisão considera:
- a relação anatômica entre as regiões: a posição das sobrancelhas, por exemplo, influencia a avaliação das pálpebras superiores, e o terço médio da face tem continuidade com as pálpebras inferiores;
- a duração total da cirurgia e o que isso representa em termos de segurança;
- as condições de saúde e o risco individual;
- a recuperação e a organização da rotina;
- o papel de tratamentos não cirúrgicos antes ou depois da cirurgia, quando fazem sentido.
A ordem também importa. Alguns tratamentos de pele, por exemplo, podem ser associados ao procedimento cirúrgico ou programados para depois, conforme a avaliação de cada caso.
Riscos discutidos antes da decisão
Um planejamento completo discute os riscos antes que a decisão seja tomada. Isso inclui os efeitos esperados de cada procedimento, como inchaço, hematomas e alteração temporária da sensibilidade, e as complicações possíveis, que variam conforme a técnica: hematoma que exige intervenção, infecção, lesão de nervos, cicatrização desfavorável, assimetrias, necrose de pele e necessidade de nova cirurgia, entre outras.
Também inclui os fatores que modificam o risco de cada pessoa, como tabagismo, pressão arterial, uso de medicamentos e doenças associadas, e o que pode ser feito para reduzi-los. A conversa sobre riscos é a base do consentimento informado: a decisão só é de fato livre quando os riscos são conhecidos.
Preparo
O preparo transforma o plano em providências concretas antes do procedimento:
- exames pré-operatórios e, quando indicado, avaliação de outros especialistas;
- ajuste ou suspensão de medicamentos e suplementos, sempre com orientação médica;
- interrupção do tabagismo, com a antecedência orientada pelo médico;
- definição do tipo de anestesia e do local onde o procedimento será realizado;
- organização da rotina para a recuperação, incluindo afastamento de atividades e apoio de um acompanhante nos primeiros dias, conforme orientação.
Acompanhamento
O acompanhamento é parte do planejamento, e não uma etapa separada dele. Antes da cirurgia, já deve estar claro como os retornos serão organizados, a quem recorrer em caso de dúvida ou de sinal de alerta e quais cuidados cabem a cada fase da recuperação.
A recuperação acontece em etapas, com ritmo que varia de pessoa para pessoa. O acompanhamento continua depois da fase inicial, porque a cicatrização e a acomodação dos tecidos seguem ao longo do tempo. Em alguns casos, a reavaliação identifica a necessidade de um complemento, o que também faz parte de um acompanhamento transparente.
Alinhamento de expectativas
Nenhum planejamento assegura um desfecho específico. Resultados de procedimentos médicos variam conforme o caso e não podem ser garantidos. Alinhar expectativas significa conversar abertamente sobre:
- o que o procedimento pode modificar e o que está fora do alcance dele;
- as características que tendem a permanecer, como assimetrias próprias e a qualidade da pele;
- a variação individual da cicatrização e da recuperação;
- o fato de que o envelhecimento continua depois de qualquer tratamento;
- o objetivo de preservar as características próprias, para que a pessoa continue parecendo ela mesma.
O que um planejamento não é
- Não é uma lista de procedimentos. Uma lista diz o que fazer; o planejamento explica por que, em que ordem, com quais riscos e com quais alternativas.
- Não é um orçamento. Custos são uma informação legítima para a decisão, mas vêm depois da indicação e não a substituem. Um documento com valores não informa se um procedimento está indicado.
- Não é uma receita padronizada. Tendências, modismos ou a conduta adotada em outro caso não definem o que faz sentido para cada pessoa.
- Não é uma decisão tomada antes do exame. Chegar à consulta com um procedimento em mente é comum; o planejamento pode confirmar, modificar ou descartar essa ideia.
O que perguntar na consulta
Algumas perguntas ajudam a verificar se o planejamento cobre essas etapas. Na consulta, você pode perguntar:
- Qual é a origem daquilo que incomoda, considerando as camadas da face?
- Quais alternativas existem, inclusive não operar, e o que cada uma pode e não pode fazer?
- Por que esta sequência ou esta combinação de procedimentos?
- Quais são os riscos gerais e quais fatores individuais podem modificá-los?
- Como será o preparo e como o acompanhamento é organizado depois do procedimento?
- O que tende a permanecer igual depois do tratamento?
Na consulta com o Dr. Igor, a avaliação começa pelo que incomoda a pessoa, nas palavras dela, e cada caso é analisado individualmente antes de qualquer decisão. Veja como funciona a consulta de avaliação e a página de perguntas frequentes.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica presencial.